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quarta-feira, 11 de maio de 2011

A ÉTICA COMO ARTE DO BEM VIVER HUMANO

A ética é um assunto de extrema importância para a nossa reflexão. Vou me basear em Aristóteles para refletir sobre este tema que se mostra tão importante nos nossos dias. Será uma exposição breve que abordará dois conceitos muito importantes e fundamentais para a ética aristotélica: a eudaimonia ou a vida bem sucedida e a excelência de caráter. Também vou explicitar de maneira breve o contexto político da época onde Aristóteles com sua filosofia responde aos anseios da comunidade grega antiga.

A relação política da Grécia antiga se dava através da Pólis mas, quem fazia parte da Pólis? Basicamente faziam parte da Pólis aqueles que não se ocupavam com os trabalhos manuais, do tipo: limpar, plantar, guerrear, etc. Aqueles que faziam parte da Pólis eram aqueles que detinham basicamente o poder intelectual e econômico. A ética nessa época está muito associada com a política, sendo ela de maneira breve a prática que visa o bem.

O conceito de eudaimonia é bem simples. A pergunta que segue-se é importante para limitarmos esse conceito. O que é a vida bem sucedida? A vida bem sucedida caracteriza-se pelo uso fruto dos prazeres mais refinados e agradáveis, pela obtenção de uma boa reputação para si, a seu juízo e a juízo de outros, aqui entra propriamente a política e pela apreciação do entendimento da realidade, ou seja, a prática da filosofia que para os gregos em última análise é a busca pela verdade.Todas as nossas atitudes buscam a eudaimonia como fim, inclusive Aristóteles fala que a eudaimonia é a única finalidade perfeita para o ser humano. Aqui coloca-se outra questão? Qual é p melhor modo de bem viver? A única maneira de bem viver na visão de Aristóteles é exercitar a alma racional, que é essência do ser humano. As atividades que elevam a alma racional são aquelas anteriormente citadas, a saber: o uso fruto dos prazeres, a vida pública e a vida dedicada a filosofia.

Alguns estudos antropológicos a cerca do homem dizem que para corrigirmos falhas referentes à formação de caráter é necessariamente a prática das virtudes morais. Aristóteles se encaixa perfeitamente nessa visão. Ele argumenta dizendo que quando fazemos o melhor uso da razão nós buscamos a prática das virtudes morais. Para entender a excelência de caráter precisamos entender duas coisas: a primeira é que nós somos dotados de uma sabedoria prática que é a capacidade de nós homens decidirmos entre as coisas boas ou más, a segunda são as virtudes morais que na sua prática buscam a elevação da alma racional.

A ética Aristotélica obviamente é bem mais complexa que esse dois conceitos, porém vejo nos nossos dias a carência desses conceitos na maior parte da nossa população. Quanto problemas da nossa sociedade esbarram exatamente nesses dois conceitos? Quantos políticos vemos com seu caráter marcado por vícios? Por fim, esse texto não tem por objetivo ser definitivo e nem de alto nível cognoscível, quer apenas despertar em cada um de nós a reflexão sobre a ética, primeiro fazendo-nos refletir sobre nossas atitudes e depois, tendo consciência que somos seres em relação, auxiliarmo-nos mutuamente.