
Assumimos com Epicuro que todos os prazeres são de uma só e mesma espécie, sendo que para ele o prazer é a ausência de dor física (aponía) e a ausência da dor corpórea (ataraxía).
Ora, temos prazeres que são naturais e necessários, como exemplo pode-se citar: comer quando se tem fome. Temos também os prazeres naturais e não necessários, como exemplo pode-se citar: comer alimentos refinados e por fim temos os prazeres não naturais e não necessários, que podemos citar o exemplo da busca desenfreada pela riqueza.
Immanuel Kant assume esses conceitos, porém dá novos horizontes a eles:
“A razão, numa lei prática, determina a vontade imediata, não por intermédio de um sentimento de prazer ou de desprazer que venha se interpor entre as duas, nem sequer por intermédio do prazer ligado a esta lei: e é só porque ela pode ser prática como razão pura que lhe é possível ser legislativa.” (KANT, I. Crítica da razão prática).
Kant introduz novos conceitos que necessariamente precisamos entender para compreender a sua tese, são eles: a razão pura são determinações que são feitas a priori, isto é, sua justificação não depende de qualquer processo particular da experiência. Também podendo significar razão teórica pura, que determina a natureza do que é, lógica interna. A razão prática é uma fonte autônoma de princípios normativos, capaz de motivar o comportamento independente do desejo e da aversão ordinária.
Para Kant os prazes são de uma só e mesma espécie como em Epicuro, porém a razão pura, sendo prática por si só, ou seja, sem inclinações deve determinar o desejo e sendo assim ela é a faculdade superior de desejar.
No cristianismo podemos admitir o que Kant fala, na medida em que admitimos que a fé seja a priori e nos leva necessariamente a uma prática e sendo assim essa prática é pura; porém não o que Epicuro fala pois o sofrimento tem papel central no cristianismo.
Ora, estamos vivendo ainda no tempo pascal e memoramos o sacrifício cruento da cruz que é essencialmente sofrimento e redenção e aí o cristianismo entende o verdadeiro sentido do sofrimento, que é a nossa redenção como maior prova de amor de um Deus que nos ama infinitamente. Que possamos em nossa vida através da fé entender o sentido primeiro da cruz e assim consecutivamente o nosso sofrimento, nos levando a uma atitude de misericórdia para com os nossos irmãos.
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